Visão

A minha visão para Portugal

A decisão de me candidatar às eleições presidenciais de 2016 resulta da  visão que tenho acerca do presente e do futuro de Portugal, no momento em que  estão esgotados  40 anos da Revolução de Abril de 1974.

Desde essa altura assisti a muitas transformações importantes no nosso País, mas também verifiquei com crescente preocupação, particularmente ao longo do último quarto de século,  que estávamos a desperdiçar de forma imprudente e continuada as melhores oportunidades para nos aproximarmos dos outros povos europeus, tanto em desenvolvimento económico e social como em qualidade de vida, nomeadamente nos sectores da sociedade de mais fracos recursos.

A actual  situação  do País, uma das mais graves da nossa história, deve-se a um conjunto de factores e dinâmicas internas e externas, mas  em primeiro lugar,  aos erros duma  má gestão política.
Erros que foram provocados em grande parte por  falta duma visão  estratégica para Portugal, pela impreparação,  egoísmo e  também  venalidade de uma parte importante da nossa classe política, que  conta com  o funcionamento do sistema político para se beneficiar a si própria e aos sectores mais privilegiados  e protegidos da sociedade portuguesa, ao mesmo tempo que utiliza  a acção política para agradar ao eleitorado e anestesiá-lo com  promessas não cumpridas.

No entanto, apesar  da actual e difícil situação nacional e internacional, tenho confiança nos portugueses e nas qualidades históricas de que somos portadores e por isso sou optimista relativamente ao futuro de Portugal.  
A humanidade está a entrar numa nova era de  grande transformação, assente numa evolução desafiante  de progresso do conhecimento humano, nomeadamente nas áreas das ciências e das tecnologias, com impactos profundos nas nossas vidas e com resultados económicos frequentemente inesperados.

O País dispõe hoje, felizmente, de uma base científica, tecnológica, empresarial e laboral, além de novas gerações melhor preparadas, o que nos permite participar dessas transformações e aproveitar melhor as  novas  oportunidades da globalização para benefício de todos os portugueses.
Além disso, cerca de cinco milhões de concidadãos nossos vivem e trabalham noutros países, enfrentando condições de grande exigência e por vezes de grande  dureza. E não o temem, com a esperança legítima de poderem vir a fazer mais e melhor no seu próprio País e a participar num processo de melhoria das nossas condições de vida, com o orgulho natural do nosso trajecto colectivo de muitos séculos.

Pessoalmente, e  através  de todas as formas possíveis, desde a publicação de  artigos, de entrevistas,  de debates televisivos e da publicação de livros,   tenho procurado, ao longo das últimas duas décadas, apresentar propostas  que na minha  visão permitiriam  caminhos alternativos aos que resultaram da  improvisação governativa  e da navegação à vista, sem direcção definida, dos vários governos.

Hoje, com o  quadro de crise e de desmobilização social que temos pela  frente,  com   o País profundamente endividado,  com o aumento da competição pelos recursos cada vez mais escassos do planeta, é  fundamental uma alteração qualitativa profunda  no funcionamento do sistema político, na forma de fazer política e  nos instrumentos de escrutínio da acção política  por parte dos cidadãos, tanto na economia como na organização do Estado. Mas isso só não chega.
É hoje claro que a nossa presença na União Europeia,  ou a acção dos mercados,  não asseguram automaticamente, e só por si, a gestão rigorosa e produtiva dos recursos nacionais,  a salvaguarda dos nossos interesses estratégicos e a mobilização  duma sociedade que perdeu vitalidade e coesão social, perdeu  ânimo colectivo,  perdeu recursos humanos, e, por fim, prestígio internacional.

Isto quer dizer que às forças políticas  se exige hoje uma nova abordagem da realidade nacional e internacional, mais inovadora e mais responsável,  e uma  nova atitude  de confiança, de competência e de disponibilidade para as reformas necessários no Estado e na sociedade. Enquanto aos  cidadãos se pede uma atitude mais exigente e não complacente relativamente  ao jogo dos interesses ilegítimos, libertando a sociedade e a economia da promiscuidade entre a política e os negócios, através da transparência e do exercício dum escrutínio atento e activo.
É neste quadro que falo de uma NOVA REPÚBLICA,  que relance a esperança nos cidadãos e uma nova oportunidade às forças políticas, onde  já não há mais  espaço para continuar a enganar os portugueses com promessa vãs, exigindo-se agora   transparência sem limitações burocráticas, prestação de contas claras aos cidadãos e um  combate duro e incansável à corrupção. Qualquer ideia   de pequenos passos de mudança no funcionamento do nosso sistema  político constitui uma ilusão que apenas serve para manter o essencial, isto é, a coligação que conhecemos entre a política e os interesses de pessoas e de sectores  protegidos da economia.

Faço entretanto um aviso: não ocorrerão de forma espontânea as dinâmicas de mudança que permitam chegarmos a esta nova realidade.
Em primeiro lugar, porque nenhum sistema político se auto-regenera a partir apenas da opção das forças políticas  existentes.
Em segundo lugar, porque é necessário envolver de forma mobilizadora os cidadãos e as instituições democráticas, o que é particularmente importante numa crise  depressiva como a actual.

Assim:
- Sabemos que a crise que vivemos tem responsáveis, sobretudo  pessoas e instituições que não estiveram à altura das suas responsabilidades, às quais faltou  capacidade ou vontade de travar dinâmicas negativas que surgiram e se desenvolveram, mas também sabemos que para esta crise também contribuiu  a atitude de complacência  de muitos de nós.
- Para vencer a crise política e de valores que nos esmaga acredito na pedagogia do exemplo, na ética da responsabilidade e na honradez da esmagadora maioria dos portugueses, condições capazes  de  novas iniciativas  políticas e do aparecimento de novos interpretes mais competentes e devotados à defesa do interesse  nacional em todas as circunstâncias,  capazes de assumirem uma nova abordagem da política e do desenvolvimento económico do País.
- Vejo, ainda, que o caminho e a forma  de ultrapassarmos esta crise nos pede  a conjugação histórica de duas dinâmicas de mudança:
A primeira mudança estará no  funcionamento dos sistemas político e económico, libertando o melhor do País, dos empresários, dos cientistas e dos trabalhadores, em torno duma estratégia de desenvolvimento que não entregue as escolhas e decisões fundamentais aos mercados, ao sector financeiro ou a  Bruxelas:  Isto significa que o País não pode continuar a girar à volta  das incidências da política partidária,  ou das ambições particulares  de algumas individualidades políticas, mas deve antes  girar em torno dum projecto nacional claro de médio prazo, transparente e acessível a todos, que saiba antecipar os fenómenos globais e onde a política possa cumprir a sua parte com seriedade e sentido de responsabilidade perante os cidadãos.  
A segunda mudança deve ocorrer na sociedade. Nós, portugueses, temos frequentemente a  tendência para delegar, confiar e deixar andar, acreditando em soluções milagrosas para  depois, quando nos sentimos cansados e enganados tender a mudar acriticamente de direcção, acabando, não poucas vezes, deprimidos e a tratar os acontecimentos adversos como uma fatalidade.       
Por isso, é necessária a unidade na acção de todos os portugueses, o que não significa esquecer o passado recente e os seus responsáveis. Significa apenas substituir as atitudes negativas de recriminação por uma atitude mais positiva e construtiva baseada na confiança no futuro de Portugal, que está ao nosso alcance, mas um futuro que exige um novo tipo de compromissos colectivos entre todos os sectores da sociedade.
Em dez anos  é possível  transformar profundamente Portugal num país de progresso, economicamente viável, orgulhoso do seu trajecto histórico e respeitado no plano internacional pela qualidade inovadora das suas propostas e pelas oportunidades de intervenção dadas às novas gerações, bem como pela seriedade que coloca na construção do seu futuro.

Se os portugueses me derem a sua confiança, utilizarei até ao limite os poderes constitucionais e promoverei as mudanças necessárias no funcionamento de uma democracia responsável e amplamente participada.
Não serei parceiro nem oposição de nenhum governo.
Mas com a legitimidade recebida dos portugueses pautarei a minha intervenção política por uma agenda de mudança, que apresentarei em pormenor ao longo da campanha, mas que os portugueses já conhecem das minhas intervenções públicas passadas. Empenhar-me-ei nessa mudança com  a convicção de que é isso que o País  esperará de mim nesta altura de crise.
Em qualquer caso, não deixarei de lembrar a cada cidadão nacional, no País e no estrangeiro, que enquanto não fizer pelo seu País a parte que lhe cabe, nunca saberemos do que Portugal é verdadeiramente capaz :
Por isso, a minha mensagem para cada cidadão português é:

FAZ ACONTECER!

VIVA PORTUGAL
Henrique Neto